domingo, 3 de abril de 2016

Primeirização como alternativa ao sistema patrão+empregado

Proponho que se comece a pensar na PRIMEIRIZAÇÃO, que vai no sentido contrário ao da terceirização. Na terceirização, coloca-se mais um patrão na jogada. Na Primeirização, acaba-se com as figuras do patrão e do empregado, as duas faces do patronato. Ninguém poderia comprar trabalho de pessoas físicas. Só empresas poderiam vender serviços.

Assim, só os sócios das empresas poderiam trabalhar. Sem impedir o empreendedorismo individual, este arranjo produtivo faria os sindicatos se transformarem em cooperativas de serviço.

Todas as pessoas -- TODAS -- seriam associadas a alguma cooperativa, enxugando o exército de mão de obra de reserva. Estas cooperativas de trabalho fariam sua planilha de custos como qualquer empresa capitalista. Aí entrariam casa, comida, transporte, vestuário, diversão, cultura, previdência, plano de saúde e tudo o que é necessário para se viver.  A seguir, as cooperativas dividiriam seu custo total pelo número de sócios ativos, isto é, aqueles que fornecem serviços para outras empresas. Assim, ficaria sem sentido um empresário dispensar fornecedores de serviços, pois isto aumentaria o preço do trabalho (e ele não teria onde contratar a preços mais baixos, pois não haveria mais desempregados). Desta maneira, acaba-se com o desemprego. Não desemprego de 5% ou 2%. Desemprego zero! Sem emprego, sem desemprego.

A este arranjo, soma-se o de contratos de remuneração do trabalho conforme o desempenho das empresas (trabalho como custo variável). Se a empresa contratante vai bem, os benefícios são proporcionalmente repassados para os fornecedores de serviço. Se a empresa vai mal, há diminuição da remuneração do trabalho, mas ninguém seria demitido. Isto praticamente tornaria as recorrentes crises capitalistas em meras marolinhas, já que não há desemprego realimentando o sistema.

A PRIMEIRIZAÇÃO resolve também o problema político levantado por Ricardo Semler: o autoritarismo do ambiente empresarial. Hoje, vivemos um quarto de nossas vidas em um ambiente em que só o dono da empresa manda. Com a Primeirização, o ex-patrão torna-se parceiro e os fornecedores de serviços se organizam da forma empresarial mais democrática que existe: a cooperativa. 
Socialismo da porta pra dentro, capitalismo da porta pra fora.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Brasil é paraíso tributário para super-ricos, diz estudo de centro da ONU


Mais ricos representam 71 mil pessoas (0,05% da população adulta brasileira) e se beneficiam de isenções de impostos sobre lucros e dividendos, uma de suas principais fontes de renda. Além do Brasil, entre os países da OCDE somente a Estônia oferece esse tipo de isenção tributária ao topo da pirâmide.

Seminário discutiu experiências brasileiras de combate à pobreza em áreas urbanas. Foto: Wikimedia Commons / chensiyuan (CC)
Enquanto a maioria dos países da OCDE está aumentando a taxação sobre os mais ricos, no Brasil nenhuma reforma de fôlego foi realizada nos últimos 30 anos. Foto: Wikimedia Commons / chensiyuan (CC)

Os brasileiros super-ricos pagam menos imposto, na proporção da sua renda, que um cidadão típico de classe média alta, sobretudo assalariado, o que viola o princípio da progressividade tributária, segundo o qual o nível de tributação deve crescer com a renda.

Essa é uma das conclusões de artigo publicado em dezembro pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O estudo, que analisou dados de Imposto de Renda referentes ao período de 2007 a 2013, mostrou que os brasileiros “super-ricos” do topo da pirâmide social somam aproximadamente 71 mil pessoas (0,05% da população adulta), que ganharam, em média, 4,1 milhões de reais em 2013.

De acordo com o levantamento, esses brasileiros pagam menos imposto, na proporção de sua renda, que um cidadão de classe média alta. Isso porque cerca de dois terços da renda dos super-ricos está isenta de qualquer incidência tributária, proporção superior a qualquer outra faixa de rendimento.

“O resultado é que a alíquota efetiva média paga pelos super-ricos chega a apenas 7%, enquanto a média nos estratos intermediários dos declarantes do imposto de renda chega a 12%”, disseram os autores do artigo, Sérgio Gobetti e Rodrigo Orair, que também são pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Essa distorção deve-se, principalmente, a uma peculiaridade da legislação brasileira: a isenção de lucros e dividendos distribuídos pelas empresas a seus sócios e acionistas. Dos 71 mil brasileiros super-ricos, cerca de 50 mil receberam dividendos em 2013 e não pagaram qualquer imposto por eles.

Além disso, esses super-ricos beneficiam-se da baixa tributação sobre ganhos financeiros, que no Brasil varia entre 15% e 20%, enquanto os salários dos trabalhadores estão sujeitos a um imposto progressivo, cuja alíquota máxima de 27,5% atinge níveis muito moderados de renda (acima de 4,7 mil reais, em 2015).

“Os dados revelam que o Brasil é um país de extrema desigualdade e também um paraíso tributário para os super-ricos, combinando baixo nível de tributação sobre aplicações financeiras, uma das mais elevadas taxas de juros do mundo e uma prática pouco comum de isentar a distribuição de dividendos de imposto de renda na pessoa física”, disseram os pesquisadores.

A justificativa para tal isenção é evitar que o lucro, já tributado na empresa, seja novamente taxado quando se converte em renda pessoal. No entanto, essa não é uma prática frequente em outros países do mundo.
“Entre os 34 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne economias desenvolvidas e algumas em desenvolvimento, apenas três isentavam os dividendos até 2010”, disseram os pesquisadores, citando México, Eslováquia e Estônia.

Contudo, o México retomou a taxação em 2014 e a Eslováquia instituiu em 2011 uma contribuição social para financiar a saúde. Restou somente a Estônia, pequeno país que adotou uma das reformas pró-mercado mais radicais do mundo após o fim do domínio soviético nos anos 1990 e que, como o Brasil, dá isenção tributária à principal fonte de renda dos mais ricos.

Em média, a tributação total do lucro (somando pessoa jurídica e pessoa física) chega a 48% nos países da OCDE (sendo 64% na França, 48% na Alemanha e 57% nos Estados Unidos). No Brasil, com as isenções de dividendos e outros benefícios tributários, essa taxa cai abaixo de 30%.
Além disso, o estudo concluiu que o Brasil possui uma elevada carga tributária para os padrões das economias em desenvolvimento, por volta de 34% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente à média dos países da OCDE.

Mas, diferentemente desses países — nos quais a parcela da tributação que recai sobre bens e serviços é residual, cerca de um terço do total, e há maior peso da tributação sobre renda e patrimônio — cerca de metade da carga brasileira provém de tributos sobre bens e serviços, o que, proporcionalmente, oneram mais a renda dos mais pobres.

“Enquanto o avanço conservador está sendo parcialmente revertido na maioria dos países da OCDE, que estão aumentando a taxação sobre os mais ricos, inclusive os dividendos (…); no Brasil, nenhuma reforma de fôlego com o objetivo de ampliar a progressividade do sistema tributário foi realizada nos últimos 30 anos de democracia, dos quais 12 anos sob o governo de centro-esquerda do Partido dos Trabalhadores (PT)”, disseram os pesquisadores, acrescentando que a agenda da progressividade tributária é um dos grandes desafios do país na atualidade.

Veja aqui o artigo completo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Preço da energia elétrica no mundo

 O Brasil está na 45ª posição no ranking de energia elétrica mais barata da Terra. Ou na 54ª posição das mais caras.

Mas os critérios de precificação variam muito de país para país, e mesmo dentro de um mesmo país. Então, esta classificação tem pouca precisão.

Dados da Wikipedia. Preço em centavos de dólar dos EUA por quilowatt/hora (sem equalização pela paridade de poder de compra).

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A contabilidade do Programa Mais Médicos

A extrema-direita brasileira vem atacando os números apresentados pelo governo Dilma em relação ao programa Mais Médicos. A captura de tela, ao lado, mostra um destes ataques.

Mas o analista de desenvolvimento da SERPRO Charles Pilger questiona os questionadores na própria página do veículo:
"Seriam 9 atendimentos por segundo se todos os atendimentos fossem no mesmo dia, mas levando em conta que em um ano (tirando fins de semana) temos 252 dias úteis e que em 2 anos temos 504 dias temos que: 63 milhões divididos por 14 mil divididos pelo número de dias do programa (504, só para reforçar) dá cerca de 9 atendimentos por dia. É um atendimento a cada 49 minutos, caso a gente leve em conta somente dias úteis e plantões de 8 horas.
"Sinceramente? Tem que mandar o jornalista que escreveu esse matéria de volta pro ensino fundamental, visto que ele não sabe fazer um cálculo básico desses."
Veja a tabela com os dados:

Médicos 14.000
Pacientes diários por médico 9
Total de pacientes diários 126.000
504 dias 63.504.000

O crédito da "barriga" -- como são chamados os erros jornalísticos -- deve ser creditada ao colunista Cláudio Humberto, que confundiu o ponto decimal com o separador de milhar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Petrobrás: governo que moraliza leva a fama de bandido

Plataforma P-36 afunda, durante governo de FHC.
Post de Pablo Villaça no facebook, 19 de novembro de 2014:

"Há algo de podre no reino da Petrobrás", diria Marcellus a Horácio ao ler os relatos da Lava-Jato. E estaria correto. Há algo de podre, de profundamente corrompido na estatal.

Negar isso é tolice.

Mas tolice ainda maior é sugerir, como FHC e Aécio Neves vêm tentando fazer, que isto é obra do PT e do governo Dilma. Pois não, não é: como o jornalista Ricardo Boechat lembrou recentemente, chegou a vencer um prêmio Esso ao denunciar roubos na Petrobrás - em 1989. (1) Já na década de 90, durante a gestão de FHC, o jornalista Paulo Francis foi processado pela diretoria da Petrobrás ao denunciar roubos na estatal - em vez de investigar o que estava havendo, o então presidente limitou-se a tentar apaziaguar os ânimos ao pedir que os diretores desistissem do processo.(2) (A propósito: Francis errou ao denunciar sem provas. Tampouco compartilho da opinião de que sua morte seja responsabilidade moral daqueles que o processaram. Ainda assim, resta a passividade de FHC.) Como se não bastasse, Paulo Roberto Costa, longe de ser "cria" do PT, era funcionário de carreira da Petrobrás desde 1978 - e começou a ocupar cargos de diretoria ainda na gestão de FHC.

(Não, não estou acusando Cardoso de ser cúmplice ou mesmo de estar ciente do que ocorria na Petrobrás; estou apenas pontuando que a trajetória de Costa é antiga.)

Enquanto isso, a outra ponta desta história, que envolve o doleiro Youssef, é ainda pior para os tucanos: além de ter envolvimento antigo com lavagem de dinheiro através do ESTATAL Banestado durante o governo FHC (segundo a Foxlha, "o maior escândalo já investigado no Brasil sobre remessas ilegais")(3), Costa foi beneficiado pela delação premiada pelo mesmo juiz Moro que agora conduz a Lava-Jato e viu vazamentos específicos de depoimentos de Costa ocorrerem durante as eleições sem fazer nada para impedi-los - o que se torna ainda pior quando sabemos que ele tem ligações com um deputado do PSDB.(4)

Não é à toa que o procurador-geral da República afirmou, em entrevista recente, que a investigação foi usada para manipular as eleições, já que -- outra incrível coincidência -- o advogado de Youssef foi nomeado para o conselho administrativo da Sanepar sob indicação de Beto Richa, governador do (adivinhem!) PSDB.(5)

Por outro lado, há boas notícias: graças a uma lei sancionada por Dilma no início do ano (6), desta vez não apenas a roubalheira está sendo investigada (e vale lembrar que foi na gestão dela que Paulo Roberto Costa finalmente foi demitido (7)) como os CORRUPTORES finalmente estão sendo presos.

Aliás, é fundamental notar que não é um acaso o fato de as quatro principais empreiteiras do país - e cujos diretores encontram-se presos - terem doado fortunas a praticamente todos os partidos, comprovando a urgência da Reforma Política e da implementação do financiamento público das campanhas. Tampouco é surpresa que o partido que mais recebe doações destas "quatro irmãs" seja o PSDB.(8)

É curioso notar, por exemplo, que das 9 empreiteiras envolvidas na Lava-Jato, SEIS financiaram a campanha de Aécio (9) - e é igualmente fundamental observar que CINCO delas dividiram as obras da Cidade Administrativa, obra absurda e desnecessária que Aécio empurrou sobre os mineiros, num custo superior a 2 BILHÕES de reais, em vez de investir em obras de infra-estrutura que realmente beneficiariam o estado. Aliás, estranhamente dois prédios IDÊNTICOS acabaram sendo construídos por dois consórcios DIFERENTES, o que é inexplicável.(10)

Enquanto isso, FHC, que se diz "envergonhado" diante das notícias sobre a Petrobrás (embora não tenha investigado as denúncias feitas em sua época, já que tudo era engavetado), não se mostra embaraçado diante do fato de uma das empreiteiras da Lava-Jato ter feito um aeroporto "de presente" em sua fazenda.(11)

O que está acontecendo agora é, ao mesmo tempo, fantástico e vergonhoso. Fantástico por FINALMENTE trazer à baila uma corrupção sistêmica antiga que consumia a Petrobrás (cujo valor é tão importante para os brasileiros que, apesar de tudo, ainda se tornou uma das maiores e mais lucrativas empresas do mundo nos últimos 12 anos) e investigar corruptores; vergonhoso por estar sendo usada politicamente por uma oposição que simplesmente não tem condições morais e históricas de posar de virtuosa - como já demonstrei acima. Ao contrário: esta oposição deveria se sentir constrangida por jamais ter feito nada para coibir os roubos que agora estão sendo expostos.

Em vez disso, prefere se esforçar para impedir que a presidenta recém-eleita governe, prejudicando, com isso, todo o país em função de seu rancor por terem perdido as eleições - e é trágico ver Aloysio Nunes, um SENADOR e ex-candidato a VICE-PRESIDENTE, ir a um ato público no qual pedidos de golpe militar são disparados.

Porque, ao contrário do que os reacionários gostam de dizer para justificar seu golpismo, o PT JAMAIS pediu o impeachment de FHC (12), pois sabia que deveria respeitar a voz do povo, por mais que desta discordasse.

Democracia não é só saber governar; é também permitir que se governe quando se perde uma eleição. Pelo visto, o PSDB não sabe fazer nem uma coisa nem outra.

Triste

Fontes

  1. http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/11/ao-comentar-operacao-lava-jato-boechat-chama-fhc-de-oportunista/
  2. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc050232.htm
  3. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1442940-doleiro-preso-pela-pf-ja-foi-contrabandista-e-vendedor-de-pastel.shtml
  4. http://www.jornali9.com/noticias/denuncia/juiz-responsavel-pelo-vazamento-do-caso-petrobras-e-ligado-a-deputado-do-psdb
  5. http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?id=1514220
  6. http://terezacruvinel.com/2014/11/14/lei-sancionada-por-dilma-embasa-prisoes-de-hoje-da-elite-dos-empreiteiros/
  7. http://mudamais.com/divulgue-verdade/nao-se-deixe-enganar-dilma-foi-responsavel-pela-demissao-de-paulo-roberto-costa-da
  8. http://apublica.org/2014/06/as-quatro-irmas/
  9. http://www.contextolivre.com.br/2014/11/tiro-pela-culatra-das-9-empreiteiras.html
  10. http://pocos10.com.br/?p=15774
  11. http://wwwterrordonordeste.blogspot.com.br/2014/07/ja-que-o-assunto-e-aeroportocamargo.html?spref=tw
  12. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2811199903.htm

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O peso da internet em 2010 e 2014

Tráfego da internet brasileira em 2010 e 2014. Será que por isto pareceu uma campanha política mais acirrada?


Fonte: http://ptt.br/